sexta-feira, 26 de outubro de 2007

José Nunes

José Nunes Alves da Costa (1916)

José Nunes nasceu no Porto a 28 de Dezembro de 1916, filho de um regente de banda militar, de quem terá herdado o talento musical. Ainda antes de se mudar para Lisboa em 1924, ingressando no Instituto dos Pupilos do Exército, aprendeu a tocar guitarra pelas mãos de um sapateiro do seu bairro. Aos 14 anos estreou-se no Café Ginásio. Iniciou a carreira profissional aos 20 anos no Café Mondego, ao qual permaneceu ligado até 1945. Presença incontornável em muitos outros locais do fado, como o Café Luso ou Solar da Alegria, foi um pioneiro na difusão da música através da rádio, onde actuou pela primeira vez em 1935, em directo. Passou a seguir a colaborar nos programas da Emissora Nacional dedicados ao fado, colaboração essa que se manteve ao longo de trinta anos. Foi de igual modo o primeiro guitarrista a exibir-se na televisão portuguesa.

Acompanhador dos mais famosos cantores de fado do seu tempo, gravou mais de meia centena de discos, entre outros, com Beatriz da Conceição, Alfredo Marceneiro, Carlos do Carmo e com a própria Amália Rodrigues, de quem foi guitarrista privativo durante vários anos.

Revelou-se ainda um compositor de alta craveira, sendo autor de peças como Fado Bolero, Fado Micas, Valsa Fantasia, além de numerosas Variações.

Segundo José Pracana, seu discípulo dilecto, foi a fusão do estilo coimbrão com o lisboeta que fez dele um criador original e de certa forma fundador de uma escola de guitarristas, a que pertencem Fontes Rocha, António Chainho, José Pracana e Sebastião Gomes Pinto (Pinto Varela). O gosto pelo ensino levou-o até a escrever um método para uso de José Pracana. Basta lembrar dois episódios para se compreender melhor a excepcionalidade da sua vocação musical. Numa ocasião em que acompanhava Amália Rodrigues no Café Luso, teve que improvisar uma difícil mudança de tonalidade devido a uma falha da cantora. Entre os aficionados encontrava-se o maestro André Kostelanetz, que ficou tão impressionado com a “façanha” do guitarrista que logo o convidou a integrar a sua orquestra. Tal convite, porém, foi declinado por José Nunes, o que o maestro sempre lamentou. De outra vez, acompanhando uma vez mais Amália Rodrigues num concerto em Lausanne, corria o ano de 1952, o presidente da Confederação Helvética, Sr. Karl Kobelt, subiu ao palco após a actuação dos artistas para os cumprimentar; qual não foi o espanto de todos quando, em vez de se dirigir primeiro à vedeta do espectáculo, foi ter com o guitarrista, abraçando-o e felicitando-o pela sua arte.

Graças ao seu estilo inconfundível, foi um dos poucos guitarristas por quem Artur Paredes, pai de Carlos Paredes, nutria verdadeira admiração.

José Nunes faleceu em 1979, vítima de um acidente vascular cerebral.

Autoria: António Dinis

sábado, 20 de outubro de 2007

Olá a todos......

O meu primeiro blog! vamos ver como isto anda.